terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal

Queridos amigos um abraço saudoso,para este fim de ano de 2010.
Muita paz!
São os desejos deste casal que vos ama.Dea e Anchieta.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Amigos da Escola em Bezerros-PE

Realizou-se na Escola Getúlio D'Andrade Lima, dia 4 de novembro de 2010 as 08:00 horas um evento patrocinado pela própria Escola para comemorar junto as famílias dos estudantes o êxito do projeto Amigos da Escola apoiado pela UNICEF, REDE GLOBO, FAÇA PARTE, UNDIME e CONSED.
Os alunos apresentaram danças, espetáculo de Karatê, apresentação do ballet Papanguarte e os professores ministraram diversas oficinas.
Assistiram convidados da Secretaria de Educação do Estado de PE e representantes da Rede Globo, assim como autoridades locais e várias personalidades da Cultura local que integram o grupo de apoio Amigos da Escola.
A Academia de Letras, Artes e Ofícios Municipais de Pernambuco se fez presente através dos Acadêmicos pintores Jailson da Costa Neves e Dea Cirse Garcia Coirolo, os que ministraram uma oficina de pintura acrílica e a óleo.
A Direção da Escola ofereceu um lauto café da manhã aos pais e convidados ao Evento.
Merece ser destacada a atuação da Diretora Senhora Lucinda Torres do Nascimento que trabalha a favor do ensino de qualidade, acompanhada pelo corpo de excelentes professores, tão dedicados quanto ela, para levar aos jovens estudantes oportunidades de conhecimento que lhes permitam avançar no caminho da vida.





Foto1: Café para convidados na Escola Getúlio D'Andrade Lima

Foto2: Amigos da Escola: Anchieta Antunes, Lucinda Torres, outros amigos e João Machado

Foto3: Oficina de pintura com autoridade de ensino. Pintores Acadêmicos Dea e Jailson.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Recheios de gaveta


Sabe?... aquele velho guarda-roupa, que na verdade não é velho e sim antigo!
Grande, imenso, fabricado com ébano, madeira nobre, em processo de extinção, ocupando toda uma parede do quarto de fazenda, aqueles quartos do tamanho de um apartamento de nossos tempos atuais. Dava para guardar todo o enxoval dos nubentes e ainda sobravam gavetas desocupadas. De um negro brilhante, imune a cupins e outras pragas. Que madeira temperada! Era mais cotada de “Jacarandá da Bahia”! Não acabava nunca, ficava para os netos dos netos.
O tempo passa e os nubentes hoje, são avós. Aquelas primeiras roupas não existem mais, o tempo corrói tecidos e nossa pele, nossa aparência, nossa beleza. Corrói a memória e deixa apenas uma “leve lembrança”; o tempo rói os afetos e os amores; carcome a tenacidade e as vontades; o tempo enche nosso corpo de neuroses e artroses. Os dedos ficam duros e nas pernas, parece que não temos mais a dobradiça do joelho. Transformou-se em ferrolho; não cede nem com “reza forte”. A mente ordena e o corpo não obedece, como se fosse menino malcriado. O banho diário deixa de ser um prazer; é uma tortura necessária; o sabonete não pode cair das mãos, sob pena de ali ficar até que venha alguém para levantá-lo, o que significa, metade do corpo ensaboado e metade não. O triste é quando a “metade não” fica da pança para baixo. Os odores permanecem apenas disfarçados.
Aquele guarda-roupa com vinte gavetas, guarda as lembranças dos primeiros anos de intensa atividade, de produtividade, de empenho e propósito, de C O M P R O M E T I M E N T O. Uma gaveta guarda memórias escritas e outras em forma de objetos de valor afetivo.
Também as gavetas podem guardar desilusões, rancores e queixas. No “podium” posta-se a gaveta que abriga as vitorias, as dificuldades vencidas, as batalhas ganhas e a gloria do dever cumprido. Esta é a gaveta que mais se abre; a que nunca é aberta guarda os fracassos e humilhações que a vida nos reserva. A idade enxerga uma partícula de pó como se fosse uma tempestade de areia no escaldante Saara. Uma ferida aberta que só desaparece quando sob sete palmos de terra.
Alguns guardam os arranhões sofridos por galhos de frondosas arvores que nos tapa o caminho da imensa floresta que somos obrigados a atravessar. Feridas cicatrizam, os caminhos são caminhados e o cansaço é descansado com uma boa noite de sono. Dizem que “olhar para o passado com um olho, e com o outro, para o futuro, só nos deixa vesgos” e piora as coisas para nós. Creio que o mais sábio é olhar, com muita atenção, para o momento atual.
Antes de mergulhar no grande amor de sua vida, tenha como experiência, avassaladoras paixões fortuitas, e assim, saberá reconhecer o verdadeiro amor, quando ele bater à sua porta ou adentrar seu coração. Nada disto deve ir dormir em gavetas, mas, estar sempre ao alcance de sua mão, que a usará para distribuir caricia e ajuda.
A vida é uma só, mas atitudes são incontáveis. Tenha-as; as boas, escolhidas com muito carinho, como se fosse o ultimo alimento a ser dado ao seu filho ou ao seu amor.
Conserve seu guarda-roupa sempre limpo, polido, sem poeiras do passado, sem os arranhões da travessia, sem as marcas dos seus pés, no solo que ficou trás. Abra portas e gavetas, para que recebam a aragem das manhãs primaveris. Tudo deve estar sempre fresquinho e tentador como verduras nas refeições da família.
Á noite envolva seu “roupeiro” com o manto da paixão pela vida temperada por grandes sentimentos, enlevos e compaixão. Deixe-o dormir agasalhado pelo seu amor.
Anchieta Antunes
Gravatá – 07/10/10.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Escritor Auditor Aposentado

Auditor- Fiscal José Fleurí Queiroz, ESCRITOR ESPÍRITA.
Na folha 8 do IDAAP, Informativo da Diretoria de Assuntos de Aposentadoria e Pensão, Ano I – Edição nº 28 de 10 de setembro de 2010 saiu uma publicação que resumimos neste “post” do blog por considera – lá interessante desde o ponto de vista cultural e filosófico.
O Auditor- Fiscal José Fleurí Queiroz, 69 anos , tem lançado vários livros à luz do espiritismo.
Em 2007 publicou “Código de Direito Natural Espírita”, que se encontra em sua segunda edição e que esta sendo traduzido para o inglês.
Publica agora, dois livros: “Medicina Espírita- Ciência Médica- Parapsicologia- Mediunidade curadora” e “ Filosofia do Direito e Filosofia Espírita – Pena de Duração Indeterminada”.
José Fleurí cursou a Academia Paulista de Júri (de 94 a 98), fez especialização em Direito Penal e Mestrado em “Filosofia do Direito e do Estado”.
Suas obras são referência na Associação Jurídica Espírita de São Paulo, na União da Sociedade Espírita de São Paulo, e na AME: Associação Médica Espírita.
Foi nomeado como Auditor-Fiscal da Receita Federal em 1968. Trabalhou em Santos, chefiou em S. Paulo e é filiado a DS, Delegacia Sindical de Sorocaba.
Hoje, o admirador de Chico Xavier, é escritor consagrado e reconhecido como autor importante à luz da Doutrina Espírita.
Acadêmica da ALAOMPE , Jornalista Dea Cirse G. Coirolo Antunes


Auditor da Receita Federal Aposentado, escritor José Fleurí Queiroz

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A FERA


Fui atacado por uma ontem à noite. Não sei precisar se era onça (das nossas), tigre ou leopardo (os deles). O medo assemelha todas elas. Pavor é o termo mais próximo que encontro para descrever o que senti. Não! Não cheguei a sujar os panos... tenho uma prisão de ventre crônica. Não vou revelar que os molhei porque minha mulher estava por perto e não quero fazê-la passar vergonha. Mas, isto não passa de detalhes insignificantes.
Estava eu em quarto não sei de onde, quarto este cheio de caixas, nas quais eu procurava alguma coisa muito importante. Abnegado que sou no cumprimento de minhas atividades, não notei que estava passando ao meu lado a fera “babona”, como se aquele espaço fosse um pequeno trecho de sua selva, onde ela costuma caçar todos os dias na “boca da noite”. Imediatamente me vi na “boca da eterna faminta”. Ela continuou andando seu andar felino, atravessou a porta que estava aberta e, de repente, olhou para trás, como quem diz: _acabo de passar pelo meu jantar e nem ao menos me dei ao trabalho de sangrar-lhe a jugular... estou ficando velho e descuidado.. tenho que voltar para honrar minha fama de “feroz recalcitrante”. Voltou...
Eu, mais que depressa, corri para trancar a porta... não consegui nem fechar, pois o mocinho de duzentos ou trezentos quilos já havia colocado sua patinha, do tamanho de minha cara, no vão da minha salvação, impedindo-me de conseguir meu objetivo. Empurrava com todas as minhas forças, com todo o corpo e ela nem piava pra dar uma demonstração de dor aguda na munheca. O que fez foi sacar de dentro das cavernas de sua manzorra as garras afiadas como navalhas. Todas as vezes que balançava aqueles instrumentos “navalhisticos” fazia uma parte de minha barba incipiente.
O medo mental, o meu, já havia espalhado por todo o meu ser, a sensação de morte iminente, sem contestação ou defesa. Naquele instante afigurava-me a porco espinho, com todos os pelos eriçados. Com a vida em minhas cordas vocais, clamava por socorro.
Olhei pela fresta da porta e vi que a fera olhou bem dentro de meus olhos, novamente para alguma coisa atrás de mim, fez um ar de riso, e mansamente puxou sua mão da porta.
Imediatamente cuidei de trancar a lamina de minha vida salva, com chave, ferrolho, cadeado e tramela. Encostei na porta uma geladeira, por via das duvidas. Não sei de onde surgiu aquele aparelho domestico, como num passe de mágica, mas o fato é que ali ele estava para minha proteção; grande e robusto.
Olhei para trás e vi outra porta entreaberta. Corri para ela, conseguindo fechá-la a tempo de não ser engolido pela famigerada faminta. Mas...
...chegou um homem amigo de irracionais, particularmente, de feras. Com uma chave mestra abriu, para meu desespero, minha salvação - a porta. Segurava pela coleira aquele monstro medonho, que teimava em me saborear para depois lamber os beiços. O homem dizia: _agora não! agora não! - como se estivesse instruindo o bicho para deixar-me para depois, como reserva técnica.
Fiquei feliz, porque, pelo menos naquele momento estava à salvo; teria tempo de planejar uma fuga estratégica. Pela outra saída era, praticamente impossível, porque precisava afastar a geladeira, abrir o cadeado, levantar a tramela e acionar a chave, o que me levaria todo um dia, em virtude de meu estado nervoso. Pela clarabóia, não encontrei viabilidade, já que não tenho tendências a morcego ou vampiro. Cavar um túnel, aí sim, é que não teria tempo mesmo, nem com o concurso dos ladrões do Banco Central de Fortaleza. Para piorar meu estado lastimável de desespero, comecei a sentir nos pés um calor cogente nos meus pés. Calor este que, com a urgência de um raio em noite tempestuosa, abrasou meus pés descalços; achei-me parecido com os personagens de figuras das historias em quadrinhos, ou de filmes de ficção.
As labaredas vivas como enguias nervosas, avançavam sobre minha agonia com a rapidez dos incêndios do cerrado planaltino. Só havia uma saída, e a usei com premência
A C O R D E I
Tudo não passou de um maldoso sonho, ou melhor, pesadelo.
Quanto às labaredas nos pés, explico: minha diligente mulher, por volta das três da madrugada, encostando seus pés no meus, sentiu como se tivesse tocado numa imensa barra de gelo. Mais que depressa correu à cozinha, esquentou água e a colocou num saco para água quente, daqueles que os velhinhos usam para sobreviver às noites invernais, principalmente na Sibéria. A água sumamente quente, deu-me a impressão de estar pisando nas labaredas das portas do inferno, se bem que não tive ainda, o desprazer de conhecer a residência do capeta.
Acordei vivo, com todos os bichos enjaulados, com os pés bem quentinhos e uma linda e cuidadosa mulher ao meu lado. A vida é bela e o amor é lindo...
Anchieta Antunes.
Gravatá-26-09-2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A Roda da Vida


Por Anchieta Antunes

Na verdade são duas rodas, girando no mesmo sentido, produzindo harmonia. Girando para cima. Fabricando cada dia de nossa vida. Uma engrenagem simples de montar; é o que imagino como foi para o ENGENHEIRO do tempo.

A primeira, a da esquerda, com sua extremidade em material resistente e largo; algo como aço, titânio ou fé. Essa chapa com varias cavas de tamanhos variados para acolher os dentes de sua vizinha. Esta primeira, apesar de “esquerda” é passiva e tem a cor nebulosa da esperança.

A segunda, à direita, gera a energia necessária a todo movimento. É ativa e determinante. Na sua extremidade uma chapa dentada com vários tamanhos e dimensões de dentes ou espetos. Grandes, médios e pequenos. A finalidade de tantas protuberâncias? Os acontecimentos diários de cada ser humano. Aqueles dentinhos penetrando nos minúsculos encaixes geram o trabalho diário, pequenos aborrecimentos, encontros amorosos passageiros, arrufos com o sexo oposto e tantas outras obstruções cotidianas.

As grandes decisões estão entalhadas nos ressaltos dignificantes do acontecimento que está para acontecer. Quantidade imensurável de pinos ativos, penetrando nas fendas da roda passiva da vida. Alguns pinos enormes, assustadores. Não há como escapar; vem inexoravelmente disposto a penetrar, e penetra com a obstinação da teimosia. Como dói! Machuca! Humilha! Rasga o espírito, fratura a vontade de continuar seguindo em frente, pressagiando a próxima estocada. Ficamos com os olhos aflitos, como os dos touros, mirando a espada do algoz vindo em sua direção, denunciando a morte iminente. É triste!!! Fende toda nossa estrutura, e é irrevogável e irretratável.

Ao cotidiano, até podemos atribuir valor poético, místico, vivencial. São os pequenos tijolos dispostos à edificação da grande obra material, carnal, solúvel no acido do “infinito, enquanto dure” como diria Vinicius de Morais.

No saber aceitar o monumento dos desafios, sem pejo, reside a grandeza do sábio, do lucubrador incansável que vê nas adversidades, a mesma simplicidade do ato de andar de bicicleta, dispondo apenas de uma das pernas; sei que é uma cena terrível, porém, acontece mais vezes do que podemos imaginar. Sofrer para aprender, infelizmente é um lugar comum, contudo, verdadeiro.

Todas estas dificuldades e atribulações formam a roda da vida, núcleo indispensável, enquanto em pé na crosta terrestre. Podemos tornar esta caudalosa torrente de infortúnios, em lago manso com o concurso da sabedoria. Fácil não é ! impossível, também não!!! Caráter e determinação são as ferramentas necessárias à consecução do escopo.

Muitas vezes basta abrimos a janela para enxergar o horizonte límpido e brilhante acenando nossa felicidade, como se fora um passe de bonde. Quando nos encerramos dentro de nós mesmos, fechamos todas as aberturas para o sol nascente.

Temos a faculdade de girar a engrenagem para atender nossos caprichos. Se a giramos muito rápido, corremos o risco de o eixo central entrar em calor excessivo e partir-se. Com lerdeza perdemos a paisagem, quase estática, do trem em movimento. O bom senso há que prevalecer em todos os movimentos e ações, conferindo temperança, sagacidade e juízo formado. Devemos ser vigilantes em todos os momentos, como o são os cães de guarda.

Sentemo-nos no trono da generosidade e solidariedade… para alcançar a paz de espírito.

Anchieta Antunes é Escritor e membro da ALAOMPE

... queria só mais uma semana



para amar minha mãe um pouquinho mais… para fazer-lhe carinhos, passar a mão em seus cabelos brancos, beijar suas bochechas.

Queria um pouco mais de tempo em sua companhia para aprender a ser um homem de bem, com atitudes retas, com o caráter formado.

Queria me embevecer com seu sorriso santo, beijar suas mãos gordinhas e sentir o carinho de seus cuidados; beber na sua fonte de tolerância, sentir o cheiro do círio de sua esperança, que nunca se apagou.

Queria só mais uma semana para dedicar todo o meu amor à minha santa mãezinha, minha mãe que tanto me amou, me cuidou, pensou minhas feridas de corpo e alma, velou meu sono agitado por pesadelos de estripulias juvenis.

Queria poder dizer que nunca lhe esqueci, que rezo por ela todas as noites, que peço a Deus que a tenha sob seus cuidados, que não a deixe sofrer, que seja sempre amada por todos os anjos. Queria pedir a Deus o perdão de minha saudade, contra a qual não tenho forças para lutar.

Queria só mais um segundo para presentear-lhe um grande beijo na fronte coroada de atenções, de sensibilidade, cuidados, de zelo pela família; queria dar-lhe um grande abraço filial e receber o troco em abraço maternal. Queria acariciar seus braços gordinhos e dar um carinhoso beliscão nas suas papadas. Queria vê-la sorrir novamente, a gargalhada do prazer da vida na companhia dos filhos criados e educados, prontos para encarar a selva de pedras.

Queria vê-la sorrir a certeza do dever cumprido, da tarefa realizada com louvor. Queria ir com ela fazer a feira do sábado, provendo o lar de suas necessidades praticas. Ela que “arengava” com todos os fregueses por um preço melhor, presa aos cuidados de um orçamento domestico compatível com os ganhos dos filhos que trabalhavam de sol a sol.

Queria sair com ela, de mãos dadas, para passear na praça e escutar a “retreta” da Banda de Musica da Policia Militar, quando se apresentava no coreto aos domingos. Momentos em que ela cobria sua fisionomia de candura e deleite com o ritmo dos acordes marciais. Não saía daquela posição até que o ultimo som invadisse seu momento de puro prazer, e já começava a beber na taça da expectativa do próximo domingo.

Queria com ela desfrutar da alegria de comer algodão doce e brindar nossos olfatos com a fragrância dos canteiros de rosas daquela praça encantada. Aquelas tardes tinham o néctar do enlevo da cumplicidade de mãe e filho glabro.

Para mim, aqueles momentos, eram sempre melhores que uma tarde no circo. A saudade é opaca porque não tem textura.

Queria só mais uma semana para amar, “desesperadamente” a minha mãe que está, desde os meus 17 anos, na companhia de Deus.

Gravatá – PE, 20/09/10

Anchieta Antunes é escritor membro da ALAOMPE

A Mulher e Seu Corpo




O corpo da mulher é um monumento à estética, á beleza e aos bons costumes. Começando pela cabeça que é o promontório da razão, do bom senso e do esmero em tudo o que produz. O corpo da mulher carrega o milagre da vida; carrega o primeiro alimento, assim como o primeiro carinho e o amor materno. O maior de todos.

O corpo da mulher é um dilúvio de paixões, o grande caminho da esperança dos homens inebriados com o canto da cotovia. O corpo da mulher é o cume do Everest para quem quer se encontrar com Deus. É a sublimação da cobiça da fortuna material, promovendo o abraço com os elevados anseios de uma alma pura, aberta para o amor.

O corpo da mulher se compadece, solidariza-se, enternece, embriaga, navega com o companheiro as corredeiras de águas turvas nos rios sinuosos da vida. É a mão amiga, o conselho apropriado, a elevação do ser – homem – É a seda que acaricia a nossa pele, a mão que carinhosamente assanha nossos cabelos, distribuindo consolo. Do solo emana como águas vaporosas, emprestando saúde aos enfermos, consolo aos desiludidos e humor aos sorumbáticos.

O corpo da mulher com suas ondulações externas, seus escaninhos profundos e misteriosos, guarda a vida na sua manifestação mais pura. É a volúpia mais terna que se possa auferir, conferindo à continuidade da vida, o sentido de exclusividade e paixão.

Ele esparge a fragrância secular dos anseios nobres, cobrindo com o véu da tolerância o ardor dos corações sôfregos, na busca eterna do prazer carnal. Como os Pilares de Hercules no Rochedo de Gibraltar, suas pernas bem conformadas, propiciam seu caminhar sobre a face da terra, disseminando meiguice, colo e sabedoria.

No regaço da mulher amada o homem descansa suas duvidas, frustrações e decepções. Com a poção mágica de seu conhecimento milenar, assim como os alquimistas transformavam chumbo em ouro, a mulher converte abatimento em vitorias; sabe fazer o homem, novamente, levantar o queixo para seguir em frente na batalha diária, própria dos vencedores. Sem elas seriamos a metade de nós. A vida não teria encantamento, a pomba não arrulhava, o “uirapuru” quedaria mudo e a coruja não piava. Pobres de nós, simples mortais, perdidos estaríamos sem aspiração de continuar olhando o sol brindar a vida. Ve-lo-iamos sempre coberto de tempestades obscuras e nefastas.

A mulher e seu corpo, o “DOM DE DEUS” – a graça e força da vida, nossa locomotiva, que seja “E T E R N A“.

Anchieta Antunes, reside em Gravatá é Escritor e membro da Academia de Letras Artes e Ofícios Municipais de Pernambuco. (Alaompe)

Blog: http://anchietaantunes.blogspot.com

sábado, 4 de setembro de 2010

ALAOMPE organiza palestra cívica alusiva ao 7 de setembro






Realizou-se na cidade de Bezerros - PE – um evento de caráter cultural, organizado pela Academia de Letras, Artes e Ofícios Municipais de Pernambuco, no dia 3 de setembro, pela manhã, na Escola Getulio D’Andrade Lima, dentro do marco das comemorações do 7 de setembro próximo.
O Professor de Historia da Universidade Católica de Recife, Ernan i Souto Andradi, proferiu uma conferencia sobre as características particulares da Independência do Brasil. Como bem disse o Professor Ernani: - “Quem deu o grito da independência, foi o filho do Rei de Portugual, herdeiro da Coroa, que continua como Rei da Colônia – o Brasil – depois do ato político”. Este fato não se deu nos outros países latino-americanos, nos quais não existia “corte nem imperador”. Isto determinou que todo o processo de independência no Brasil, seguisse caminhos bem diferentes do resto da America hispânica.
A ALAOMPE através da sua direção de cultura a varias escolas do Município, e suas turmas de 8ª série e do 3º ano do ensino médio, acompanhados pelos professores de historia, para assistir à palestra, dado o interesse do tema para os alunos.
Fizeram-se presentes: -Escola de Referencia em Ensino Médio de Bezerros, professora Débora e coordenadora Graça, acompanhadas de 35 alunos;
-Escola Dom José Lamartine Soares, professor Wuleandro, com 5 alunos;
-Escola Eurico Queiroz, professor Romualdo, com 7 alunos;
-Escola Professora Maria Ana, professor Rodney, com 5 alunos;
-Escola de Getúlio D’Andrade Lima, Professoras Nazaré e Maria do Carmo, com 10 alunos.
No auditório da Escola Getúlio D’Andrade Lima, já preparado para o evento, se receberam os acadêmicos da ALAOMPE para formar a mesa. Logo, a secretária chamou o professor Ernani Souto Andradi para integrar a mesma. O ato começou com o Hino Nacional cantado pelos presentes. Imediatamente a Secretária Geral da ALAOMPE, Srª Norma Nunes Garcia, leu um breve currículo do palestrante, e a seguir o mesmo pronunciou sua conferência.
Finalizada a exposição, se abriu uma mesa redonda onde professores e alunos apresentaram suas perguntas e suas dúvidas, aos diferentes aspectos do tema, ao excelente professor. O palestrante soube transmitir seus conhecimentos com humor e domínio total dos fatos históricos assim como profundo saber pedagógico, conseguindo desta maneira, uma inter-relação completa com a sua platéia.
A continuação a Diretora da Escola anfitriã Getúlio D’Andrade Lima, Gestora em Educação, Lucinda Torres do Nascimento agradeceu a presença de todos e entregou uma pequena lembrança da Escola as mulheres presentes de ALAOMPE.
A Diretora de Cultura da ALAOMPE, Professora Dea Cirse Garcia C. Antunes agradeceu ao palestrante, professores, alunos e acadêmicos, e ofereceu um artesanato típico nordestino ao Professor Ernani, assim como um buquê de flores para a esposa do mesmo, Srª Socorro Souto, bezerrense, que também se encontrava presente.
Dando por encerrado o ato cultural, os acadêmicos e o palestrante conversaram informalmente com os professores presentes e expressaram o grande interesse da ALAOMPE para integrar estudantes a atos culturais de importância fundamental para seu desenvolvimento cognoscitivo. Se estabeleceram laços que seguramente facilitarão o labor educativo e cultural, que a ALAOMPE pretende levar a cabo já no ano de 2011.
É através desta publicação que proporcionamos ao público, professores, alunos, acadêmicos, uma breve resenha do acontecido no marco do Sete de Setembro próximo, e solicitamos a todos os leitores da mesma para divulgar o fato. As fotografias do ato acadêmico com todos seus assistentes ficam disponíveis:
No blog da ALAOMPE: http://alaompe.wordpress.com
No blog do Acadêmico Lenilson Xavier: http://www.lenilson.com.br
No blog do Acadêmico Anchiêta Antunes: http://anchietaantunes.blogspot.com

DESBRAVANDO O HORIZONTE DESDE O ARRUADO

Gravatá-11-01-08



DESBRAVANDO O HORIZONTE

DESDE O ARRUADO

Vocês, meus avôs querem por que querem que eu conheça o mundo, sem nem mesmo considerar a minha pouca idade. Todos os dias levam-me a passear pela cidade de Gravatá, para que conheça todas as ruas e praças da nossa comunidade.
Tem um certo encanto... porque todos os povoados do agreste ou sertão nordestino, guardaram a inocência dos tempos em que o transporte mais rápido era o cavalo. Meu avô diz que era a época em que o vaqueiro queria ir até o aglomerado de casas mais próximo para tomar uma cachaça e levar dois dedos de prosa com o compadre que mora na ponta da rua. O chão era de barro ou areia, porque o calçamento é coisa da capital que está a vinte léguas “de beiço” de onde vivem.
A notícia mais fresca e disputada nesta região que visitamos com meus avôs é o nascimento do filho de Maria Rosa, “La Belle de Jour”. Maria Rosa, a cabocla mais desejada e invejada daquelas bandas. A natureza foi mãe e não madrasta com ela, pois desfila um corpo torneado cor de jambo com cabelos longos e lisos e com a fragrância inebriante de “Leite de Coco”-ao dizer de meu avô. Tem os olhos negros e amendoados guarnecidos pelas sobrancelhas grossas da cor do azeviche. Tem a testa alta, condizente com a inteligência de que desfruta e usa, para se dar bem na vida. Não é mulher de trabalhar em lavoura e sim de ler revistas como “O Cruzeiro” e a “Manchete”. É mulher que tem leitura.
É ela a porta-voz do vilarejo, a que está encarregada de divulgar todas as fofocas do que acontece lá fora, neste mundão de Deus.
Está casada com João Nepomuceno, proprietário de um sítio nos arredores do arruado. No seu sítio o João planta de tudo para abastecer a sua mesa farta e para negociar nas feiras do sábado. O casal é tido como o mais abastado da região, contando com uma boa carroça, uma bicicleta, e mais uma charrete para Maria Rosa desfilar sua beleza nos domingos quando o Padre aparece para confessar e rezar a missa.
Depois do resguardo de três meses, ela vai poder mostrar a todas as amigas e conhecidos o seu lindo filho Ambrósio, um verdadeiro troféu. O orgulho do casal que nasceu com cinco quilos e medindo cinqüenta e três centímetros. Um verdadeiro “touro” como diz o pai vaidoso. Quando crescer vai ser Prefeito!
Assim vive este povoado com seus altos e baixos, com chuvas e secas, mas sempre com um sorriso estampado no rosto. Todos riem da própria carência de tudo...
-Deus há de melhorar - dizem...
Assim é, pois meus avôs querem que eu conheça todos e tudo a respeito desta gente que é minha gente.
Aqui nasci e vou me criar, do mesmo jeito que minha mãe fez em sua vida.
Não posso dizer que não gosto desta fase de minha existência, mas certamente não é o eu que quero para minha idade adulta. Tenho melhores planos. Pretendo viajar muito e conhecer, de fato, o mundo lá fora, onde as coisas acontecem. Gosto dos passeios de carro com meu avô dirigindo bem devagarzinho para que eu possa enxergar tudo que vai passando pela janela do carro, como se fosse uma televisão ou janela de trem. Muitas vezes adormeço no colo macio de minha “nona”. Minha vó conversa muito comigo para que eu aprenda logo a falar e dizer tudo que tenho vontade e direito.
Assim vão transcorrendo os meus dias. Quando não, viajo com meus pais para a capital do Estado. Naquela cidade imensa nós vamos as lojas e restaurantes e também a parques. É muito divertido. Também é muito cansativo.
Continuo simpática e sorridente, conquistando a tantos quantos se aproximam de mim.
Brinco bem com bolas e bonecas. Durmo bem. Como bem. Que mais quero nesta minha vida de bebê linda e adorada? Só continuar contando minhas histórias. Estou com um ano e três meses de idade (só para que tomem conhecimento).
Um beijão bem grande para todos.

Letícia Victória.

sábado, 7 de agosto de 2010

O BAILE... QUE SAUDADE! ! !

Foi ontem à noite na nossa pequena cidade interiorana. Toda a sociedade presente; de longe ouvia-se o “fru-fru” dos vestidos de seda sendo desfilados no salão brilhante. Nenhuma fisionomia sisuda; o sorriso era a senha para entrar no “CLUB”. É verdade que vi alguns homens bocejando, contudo, perfeitamente desculpável, considerando que todos trabalham com denodo. As mulheres não bocejam porque elas gostam mesmo é de aparecerem lindas e maravilhosas, causando inveja às suas grandes amigas da mesa vizinha. O bocejo chega na goela da festeira, e mais que de pronto, ela engole com lagrimas e tudo e ainda manda um sorriso por cima, para disfarçar.

A orquestra era de uma sonoridade inquietante, um deleite para os ouvidos acostumados com poluição sonora. Os que praticam o silencio, o melhor é não sair de casa. O Maestro muito competente não deixava ninguém esperando a próxima musica para sair dançando. Todos os ritmos com pancada forte e bem marcados. Até mesmo os sonolentos, saltitavam na pista de dança. É que o som era contagiante. Beleza pura!!!

Enxerguei algumas figuras exóticas:

Um magrinho, ele o cavalheiro, abraçado a uma dama um pouquinho rechonchuda, rodopiava no salão, qual pião atirado ao solo por menino levado. Ele com uma vestimenta que me pareceu farda de militar imitando folhagem. Um tênis reforçado completava seu traje de gala. Este nosso amigo, o “Fuzileiro Naval” ou “Boina Verde”, (não pude definir) usava o braço de sua dançarina para esconder-se atrás, como se fosse sua trincheira avançada. Só conseguíamos ver os olhos perscrutadores. O casal avançava pelo piso brilhante à procura dos inimigos escondidos sob a luz esfuziante do Baile de Gala. As perninhas magrinhas daquele dançarino, rodopiavam como uma carrapeta azeitada, insinuando-se entre as pernas de sua bailarina, com movimentos, ora circulatórios, ora num vai e vem, como um discurso direto, via coxas, provocando calafrios próximos ao orgasmo. Esperava ver, a qualquer momento, um dos dois, ou mesmo os dois, caírem no chão, estrebuchando de prazer. Isto em plena festa, um espetáculo digno de admiração.Não gozaram... que pena... seria para dizer:

_Mãe! ”Nóis tá na fita”

Havia uma loira, creio que quarentona, com tanta tintura nos sofridos cabelos, que um olhar atento, enxergaria o “código de barras” do produto usado. É certo que sua cabeleira estava um pouco espetada, mas para um baile daquela magnitude, qualquer coisa vale. O seu par escondia-se por trás daquela montanha balançante, quje brilhava como filão de ouro ao sol, nos garimpos de Roraima. Para a diversão e entretenimento, tudo é válido.

O casal que mais chamou a atenção de quantos ali estavam, era baixinho, não que isto seja um defeito, contudo, ela usando uma “super mini-saia”, mostrando suas vigorosas coxas, como se fora duas colunas de Hercules, no estreito de Gibraltar. Todos olhávamos para aquelas pernas descobertas, principalmente quando o parceiro juntava a incauta pela cintura, para ela não perder o ritmo. Éramos obrigados a ver se insinuando sua “protuberancia bundal”, com a beira da calcinha debruada em organza, com rosas vermelhas, bordadas e cintilantes. Uma graça de ver...O marido, talvez, as vezes exagerava suas acrobacias, fazendo a dama errar o passo. Ah! Meu Deus do céu, pra que ele faz uma coisa dessas? Ela, cinquentona, queimada do sol abrasador da lide na lavoura, jogava fogo pelas ventas, qual dragão vermelho. Que espetáculo fervente desfrutamos todos nós, que só observávamos.

O casal se nos aproximou com cara de intimidade e ele foi logo dizendo:

_Vocês dançam muito bem! Estive observando...

E ela mais que ligeiro, falou:

_Nós dançamos juntos há mais de trinta anos! Que nota vocês nos dão?

Só podia dar “DEZ”. Não que eu seja jurado de televisão, mas não podia esfriar o entusiasmo da furibunda, sob pena de tomar um safanão no meio da cara. Eu heim!!! Pra que correr riscos desnecessários?

Um outro casal, no mínimo, fora de época, dançava loucamente e vestido como se fora “hippie” , com tiras de pano (estopa de sacaria) enrolando o corpo; uma coisa indistinta, dirigia-se para a cabeça, à guisa de lenço, touca com flores brilhantes de lantejoulas e outros adereços decorativos. Nos pés dela notava-se uma coisa, assemelhando-se a sandália romana, confeccionada com “raspa de couro” envolvendo-os até acima do tornozelo e amarrada com tiras de couro. Devido á dança frenética, o cordão amarrando o couro, soltava-se constantemente, obrigando o cavalheiro, gentilmente, ajoelhar-se aos pés da dama para reiniciar a operação “amarra sandálias romanas”. Ela, uma verdadeira Imperatriz Romana, com o queixo empinado, olhava por sobre a plebe rude, seus fieis vassalos, esperando o reinicio de seu bamboleio, ao som de “Guantanamera”. Com um sorriso nos olhos e um ósculo nos lábios, toda a pantomima preenchendo o palco das vaidades, solicitava as atenções da platéia.

Vi também um filhote de anão, com cara de “pit-bul” faminto. Furibundo com seu minúsculo elemento vivencial, descontava nas pernas... explico: nunca vi um pequenininho dançar tão bem. Um clone de “Fred Astair”; sem a grana do americano. Foi quem mais se divertiu, isto porque, como é diminuto, qualquer porção, por menor que seja, logo atende suas necessidades. Para continente reduzido, bastam apenas algumas gotas...

Os garçons, um capitulo à parte. Gordos, magros, retilíneos, de todos os calibres e ainda curvados sob o peso da bandeja, não precisaram ser subornados; atendiam com presteza e eficiência. As salvas passavam repletas de cerveja, vinho e uísque. Um verdadeiro festim...

Um deles, parecendo lutador de “sumô”, com seus 130 quilos andava com passos miúdos, lépido e fagueiro, carregando uma bandeja cheia de quitutes. Não derramar nem uma gota do refrigerante era um verdadeiro milagre.

Outro, certamente, praticante de “vale tudo”, apresentava-se quadrado como um guarda-roupa, forte como um touro e de bandejinha na mão, rodopiava entre as mesas, sem derrubar nenhuma. Uma gracinha...

O terceiro, “Lord inglês” ereto como um poste, com meneios suspeitos, sussurrava nos ouvidos dos clientes, sem que ninguém entendesse nada, pois o som da orquestra estava a um milhão de decibéis. O povo balançava a cabeça, como se estivesse de acordo, sem que, no entanto houvesse ouvido o que falara o garçon com corpo de bengala. Soube de um cliente que queria comer tira-gosto de filé com batata frita e recebeu um tremendo abacaxi fatiado. Comeu, fazer o quê? Era festa...

Lá “pras” tantas, os casais, já etilisados, “soltaram a franga”, ou seja, liberaram-se, esbaldaram-se. Não que o palco tenha se transformado no “Clube das Chaves”, porém, no dia seguinte, todos rezingavam de tanto contorcionismo. O álcool vem pregando peças há milhares de anos, e o “capeta” louco de contente...

A ORQUESTRA” – Maravilhosa; com todos os instrumentos havidos e por haver; sax, clarinete, trompete com surdina, trombone de vara, .triângulo e o indispensável teclado. Todos estes músicos e um “batera” exaltado.

Em seguida apresentou-se um “TENOR”, (maiúsculo mesmo, para fazer jus ao seu desempenho) Ricardo Farias, de Recife, espetacular. Que voz!!! Que pulmão... embora nunca tenha visto dele uma “abreugrafia” (isto é mais antigo que caminhar em pé) . Plácido Domingos fica a dever frente ao nosso nordestino chilreador. O homem tem um vozeirão que retumba no Himalaia, provocando avalanches... (parece que está um pouco exagerado, mas tudo bem...).

Depois de ouvirmos lindas áreas, chegou a vez de “ADILSON RAMOS” – a patativa do agreste. O cara com setenta anos de idade, deixou-me com a maior inveja de seu preparo físico. Não parou de cantar e saltar naquele palco que tremia com seus exercícios. Encantou a platéia que acompanhava cantando com ele todas as músicas. Um verdadeiro “SHOW MAN”. Foi com ele que a moçada se soltou, cantando, dançando e aplaudindo ao mesmo tempo; uma verdadeira loucura de entusiasmo, de orgia saudável. Com Adilson Ramos chegamos ao ápice da festa, da irreverência, da soltura dos espíritos, esquecendo as agruras do dia a dia. Foi maravilhoso. Quero ir a outra festa destas...

Assim, pois, tivemos uma noite de sábado deslumbrante, dançante e alegre. Bebemos vinho, comemos moderadamente e nos divertimos como há muito não nos cabia. O casal que nos convidou, como sempre, uma simpatia; dois jovens nubentes cuidando de nós, como cuidariam de seus pais. Atenciosos e zelosos com os dois velhinhos sapecas. Uma família de prole numerosa, constituída, principalmente, por mulheres, tendo apenas a presença de um homem; minto: dois homens, pois, recentemente, foi encontrado um outro irmão que andava extraviado, pelas bandas do Recife. Parece que é produto de contrabando do patriarca. Não liga, não! Isto acontece até nas melhores família de Londres. O fato é que minha amiga protetora perdeu o “Cetro” de caçula da família. O paraguayo,digo, o extraviado é o novo caçula, sem cetro mesmo, já que homem ganha cetro quando nasce. Dançamos tudo o que nossos fôlegos nos permitiram.. Hoje minhas panturrilhas me mandam para aquele lugar...

Minha “DEUSA” está na salmoura desde que chegamos em casa. Amanhã será outro dia...

Anchieta Antunes

Gravatá – 1º/8/10.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A U R N A

Cavalguei muitos dias, muitos mundos, muitas gentes. Vi tudo o que um homem pode ver. Senti todos os odores, saboreei todos os sabores, olhei todas as coisas. Abracei todos os momentos. Dormi todos os sonos e sonhei todos os sonhos. Amei muitos amores, nas minhas passagens pelo tempo.

Nasci dono de uma URNA; de cristal. Do mais fino cristal, abrigando dentro de si, o maior de meus tesouros. Não conheço sua origem, apenas sei que a tenho, que me pertence. O continente tem de diâmetro, 18 cm., de base, 22 cm, de altura, 30 cm. O conteúdo pode ser liquido, pó, substancia volátil ou matéria concreta.

Seu exterior é da cor violeta. Tem ao longo de sua altura, pequenos filetes dourados, podendo ser ouro. A base é grande para garantir sustentabilidade, apoio e serve também como elemento decorativo.

Nas minhas passagens pelos becos do mundo, desfrutei varias paixões, pequenos amores, deixei muitos adeuses e lamentei tantas partidas. Chorei a urgência, resignei-me com as estadas, parti para novas experiências. Rasguei os lados ruins da vida, ouvindo o lamento da seda sendo separada de sua banda.

Guardei sempre, com muito zelo, a minha urna, junto ao meu coração. Nunca a mostrei para ninguém. Esperava o momento certo, onde encontraria a pessoa escolhida por Deus. Não podia jogar, como um estróina o faria, no primeiro córrego de águas cristalinas e enganadoras, na esperança de vir a sorver daquele liquido, admitindo ter encontrado o meu caminho d’água. Ainda não havia recebido Dele o sinal de aprovação. Guardei a urna, assim como guardei a mim mesmo.

Um dia surgiu! Na forma de pergaminho, com letras gravadas a cinzel. Abrolhou a palavra de Deus, escrita pela mulher que iria ser, para todo o resto de minha existência, o chamamento para minha, para nossa consagração.

Minha urna estava intacta, inteira, lacrada, ungida, benzida por Deus e pela Virgem Maria. Dentro dela eu guardei até aquele momento o

“MEU AMOR POR DEA.

Anchieta

Amo meu marido: DEA

Loteamento Ebenezer – Gravatá –

Gravatá – 24-01.98.

Amo seu rosto, grande, de feições fortes; amo suas cicatrizes, a forma da mandíbula e o queixo. Amo seus olhos mansos, olhando sem olhar, seus olhos pensantes, seus olhos risonhos. Gosto do cheiro, do perfume e do suor.Gosto do cheiro dele ao fazer amor. Gosto das mãos; do músculo forte do polegar, da forma das unhas, dos dedos, da força com que apertam e da ternura infinita quando me acariciam. Amo esse corpo todo, as costas, o peito, as pernas e os pés.

Gosto e amo tudo a uma só vez.

Adoro quando está calmo, quando pensa, quando me passa suas teorias de vida, da existência e do universo, embora nem sempre consiga entender bem o que está dizendo com metáforas.

Gosto de sentir a segurança que me dá tendo como companheiro.

Acho que tem numerosas virtudes, como por exemplo:

-enfrentar a vida com garra, determinação e audácia;

- levar a cabo seus sonhos e fantasias por mais loucas que pareçam, porque se bem me aterrorizam, sempre no fim acabam dando certo – excepcionalmente – não...

Adoro vê-lo empolgado com a casa, a adega, o jardim; admiro como conseguiu vencer as dificuldades da infância, a dor de um pai ausente, a morte da mãe na adolescência, os traços congênitos de uma família inteligentíssima e complicada da qual é um membro permanente; pois apesar da sua inteligência, que é muita, as complicações psicológicas, complicam os seus juízos de valores, e assim mesmo tem vencidos inúmeras vezes.

Amo, admiro e agradeço a forma como levou adiante a relação com meus filhos, e como hoje, depois de 15 anos, conseguiu que lhe tenham verdadeiro amor.

Amo que me aja ensinado a ser um pouco preguiçosa, menos exigente comigo mesma, que tenha me ensinado a dormir a “siesta” e a me entregar ao amor físico; gosto de que goste de me ver arrumada, bem vestida, bonita e que tenha prazer de me apresentar às pessoas que já sabem que existo e aos que já contou a nossa história de amor.

Dá-me confiança saber que quando tem alguma idéia, vai fazendo tudo para conseguir seus propósitos.

Adoro quando olha para Yves e o amor lhe sobe aos olhos e ao sorriso.

Adoro quando sorri! Gosto de ver seus dentes grandes e da forma dos pômulos e seus olhos pequenos em uma linha, quando ri às gargalhadas. Adoro o som das gargalhadas!

Gosto da voz forte, grave e tão amorosamente suave quando me sussurra palavras “amorosamente obscenas”; amorosamente, repito, no enlevo da paixão.

Gosto quando vai para a cozinha e faz seus macarrões, seus queijos fritos, suas tapiocas.

Gosto de sentarmos à mesa, compartir o pão, o vinho e saber que achou gostoso aquilo que preparei. Sempre é ele o primeiro a comer aquilo que cozinho, e adoro que assim seja, porque estou lhe dando algo bom, que ele saboreia com gosto.

Adoro estar com ele em paz e harmonia e senti-lo sábio, maduro e ingênuo, sem ressalvas.

Admiro profundamente sua capacidade de compreensão e paciência quando estou adoentada e seus procedimentos nas emergências médicas; a sua força, calma, entereza com que trata de mim ou do outro, filho, como por exemplo:quando Moriana esteve com Amebíase grave; Yuri – agora – Larisa para ter o filho, eu quando me operei do seio ou passei no Hospital de Natal, onde perdi nossa filhinha.

Nunca vou esquecer sua dedicação e a esperança, que me dava forças para seguir adiante.

Gosto quando olha para mim e sabe de minhas vulnerabilidades, ou o que está escondido detrás do medo ou das palavras.

Adoro sua atitude quando escuta alguma coisa e guarda no espaço mental, reservado para alguma ocasião especial – por exemplo: uma vez eu disse que sempre gostei de relógio “cuco”, e ele , muito tempo depois comprou um para me fazer surpresa. Cada vez que olho o relógio “cuco” ou o relógio de cúpula do apartamento, vejo sua atitude amorosa e de cuidado e isso me trás alegria e emoção lá dentro de meu íntimo.

Admiro sua paciência infinita quando quero carregar plantas, sementes, etc... livros, quando de nossas viagens.

Adoro dançar com ele, que me leva ao ritmo da música, quando desfrutamos juntos dessa intimidade gostosa que dá o movimento, o som e o ritmo.

Gosto de ver filmes juntos, encostar-me nele e entender as mesmas coisas sem precisar falar nada; é como se nossas mentes fossem uma só.

Adoro dormir juntos com as pernas encostadas, sentindo um a pele do outro.

Agradeci e amei sua atitude quando me deu apoio, confiança e ajuda na doença e morte de minha madrinha e de meu pai.

Adoro viajar juntos, ver cidades e parques, restaurantes e tudo o que outras culturas têm para oferecer; sentar-nos, contemplar, comentar, desfrutar juntos, de tudo com a mesma intensidade e o mesmo entusiasmo – deixando fluir idéias, pensamentos, apreciações.

Adoro sua capacidade para criar documentos, papéis, ordens de pedido, orçamentos, sei lá, tudo o que é burocrático e que eu não tenho a mínima facilidade.

Divirto-me com suas piadas, suas fantasias eróticas, seus lances de jardineiro, horticultor, marceneiro, construtor e tudo o que tem sido sua vida.

Admiro como tem capacidade para tudo o que se propõe fazer com seriedade e como consegue levar adiante seus planos mais incríveis.

Acho admirável como se preocupa comigo e faz todo o possível para me dar o que quero, o que advinha que quero, e como me ajuda a compartilhar com minha família, momentos inesquecíveis, tais como, os quinze anos de Yuri em Bariloche ou na formatura de Larisa em Limeira ou o Natal em Gravatá.

Me deixa muito grata ver que é caprichoso com o jardim, os caminhos, os muros, enfim, tudo o que faz para deixar nossa casa melhor.

Gosto de ver-lhe bem vestido, perfumado, barbeado, elegante, e também de jeans trabalhando, fazendo, resolvendo.

Amo este homem por estas e mil razões a mais que não se podem explicar; como ele mesmo diz: amor não se pensa, se sente.

Teria muito mais para dizer, porém, seria talvez muito longo e não sei se é bem isso que você, Yascara, quer de mim.

Outro dia escrevo a outra parte que acho bem mais difícil de fazer.

VIRTUDES SEM EXPLICAÇÕES:

Inteligência;

Tenacidade;

Audácia;

Compreensão;

Interesse;

Imaginação.

Dea Cirse Garcia Coirolo Antunes.

sábado, 3 de julho de 2010

VÔ, A PADARIA ESTÁ ABERTA?

É o que minha netinha Letícia me pergunta todos os dias depois que me pede umas moedinhas. Ela gosta de comprar balinhas, pirulitos e outras guloseimas.

_Vô, tem moeda?

_Pra que você quer moeda?

_Pra que sim!

Esta resposta anula todas as minhas dúvidas, inda mais considerando que já sei pra que ela quer moedas. O que acho interessante é que ela primeiro pergunta se a padaria está aberta. Isto significa que se eu disser que não está, ela não pede moedas. Que atalho fantástico para uma criança com três anos!

Depois que recebe as moedas, pergunta?

_Vozinho (já não é Vô, e sim vozinho, como que agradecendo com carinho) o senhor me leva?

_Não posso porque vou ver o jogo da copa...

_Rose pode ir comigo? (Rose é a nossa empregada)

_Pergunte a ela?

_Roooseee! Vovô mandou você ir comigo a padaria.

Com esta idade já sabe dar ordens. Eu mandei perguntar, e não que Rose fosse com ela. Como ela faz o que quer comigo, deixo passar...

Todos os dias de manhã vivemos este roteiro, o que acho ótimo, e quando ela não vem, mando Rose buscá-la. Aos domingos ela vai com Nalvinha, a mãe, para as casas da avó materna e das tias, não sem antes vir nos dar um beijo e dizer:

_De noite eu vejo vocês...

_Vá, meu amor e se divirta bastante, dizemos eu e Dea.

_Vovô, quero fazer xixi

_Lele, este departamento é com sua avó

_Vovô, tô com fome

_Lele, este departamento é com sua avó

_Vovô, to com um dodói no dedo

_Lele, este departamento é com sua avó

Vovó Dea tem mais departamentos que repartição publica... e cuida de todos com esmero e muito carinho.

Fomos levá-la para tomar vacina e eu quase que me acovardo. Como eram só gotinhas me atrevi a entrar com ela no colo. Ela não queria e me abraçava com a força do medo.

_Meu amorzinho, são só duas gotinhas, não vai doer nada.

Consentiu, ainda que apavorada. Depois dizia

_Vô, não doeu nada...

_Não doeu porque você é uma menina valente!

_Sou, né?

_Claro. Valente e linda.

_Vô, não tem mais vacina, né?

_Tem não, meu amor. Menti. Tinha aquela com agulha na perninha. Para esta, mais que ligeiro, transformei em “DEPARTAMENTO DE DONA DEA” e caí fora. Sou covarde mesmo, que fazer?

Dea é mãe de muitos filhos; eu nunca fui mãe!!!...

Esta criaturinha linda, que só tem três anos e nove meses, hoje, pela primeira vez, aqui em casa, ESCREVEU SEU NOME – Letícia. Diga se não é pra chorar... eu chorei, e daí?

Enquanto houver moedas neste país, ela vai continuar indo à padaria...

Anchieta

UM PONTO NO SOLO E UMA PEDRA LANÇADA

Assim começa a peleja, depois dos vibrantes e sonoros “HINOS NACIONAIS”. Um olho no arco adversário e o outro na conta bancaria. Vamos suar as camisetas, afinal não somos nós que as lavamos! Temos que justificar nossa presença nesta arena repleta de sofredores entusiastas e esperançosos. Se der para ganhar, ótimo, se não, nossos contratos já estão firmados.

Milhões ou bilhões foram acarreados na preparação dos espetáculos. Nós somos “o espetáculo”... Muitos trabalhadores foram felizes por um ou dois anos, durante as construções. O leite dos meninos estava garantido... O sorriso bailava em cada expressão. A população negra juntou-se à branca em jubiloso congraçamento. Todos os atos de bondade e coragem são admitidos.

Mandela reviveu e a cada dia ficava mais jovem. Morreu a neta..ah! era apenas uma neta... A imprensa tinha a obrigação de notificar. Notificou...vamos ao que interessa, ou seja o vil metal. Tem muito do nosso tempo, esforço, tecnologia e - PATROCINADORES – em jogo. O jogo jogado no gramado é apenas o engodo da paixão.

Os corações latejam em cada peito, a expectativa libera o fausto, a magnificência transita pelas esquinas do opulento espetáculo coletivo. Festa, festa, festa... Não há razão para mal humor ou pessimismo. A bebida está liberada, a comida, idem, os hotéis luxuosos esmeram-se no atendimento. Sim! É a preço de ouro, mas pra que fazer economia neste momento de euforia? Depois do ultimo silvo, vamos esperar mais quatro anos; de economia, de preparação, de roupas esdrúxulas, de mascaras bizarras; é a ocasião propicia para nos expormos, mostrarmos quem somos por dentro, porque por fora é apenas a casca, a armadura do dia a dia.

A televisão, o radio, revistas, periódicos, construtoras, multinacionais, as grandes marcas e “grifes famosas” - todos saem ganhando, até mesmo o pobre trabalhador. Se o sarau é universal, por que não usufruí-lo? Se é um momento surreal, dele temos que participar, marcar nossa presença, deixar assinalada nossa personalidade, apontar no solo estrangeiro nossas pegadas, como que dizendo, “estive aqui” e participei de todo o evento.

O ganhador não se restringe ao único que levanta a ‘TAÇA”. Todos são vitoriosos, exuberantes e satisfeitos pela participação no lance da CATEDRAL das vaidades afloradas, sob o sol ameno, do clima fresco de ventos ondulantes. As cabeleiras louras, negras e brancas espargem seus fluidos viscerais, impregnando a todos que por ali vagueiam. Passa a existir uma fraternidade momentânea que nivela até mesmo os mais desprotegidos.

A festa ecumênica onde se adora uma bola que tem vida própria e os pés dos contendores. O bezerro de ouro que os impacientes moldaram para suprir a falta de um DEUS presente para ser adorado.

Depois, naquele país distante para nós, o quadro é revertido para a solidão, para o desconforto do trabalho escravo, para o esquecimento dos promotores da salada de idiomas e opiniões. Cai a noite e os refletores não se acendem nos estádios soturnos, porque não há mais espetáculo nem motivo de ganância.

Quem ganhou, ganhou, quem perdeu, também ganhou. Todos ganharam; até o esquecimento, porque outras batalhas precisam ser montadas para gáudio dos organizadores da arena dos gladiadores.

Foi lindo, maravilhoso, espetacular, magnificente, exultante, alegre e triste, só dependendo da nação de origem.

Que venham mais COPAS – mais trabalho, mais entusiasmo, alegria e o leite dos meninos.

Anchieta

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Monarquía Tupiniquim

Vou começar a deambular pelo nosso querido Brasil; o país dos “REIS” e “IMPERADORES”. Certamente vocês estão pensando na era da colonização, quando os monarcas portugueses, fugindo de Napoleão, deram com os costados em nossas praias. Pode até ser, mesmo porque aqueles eram autênticos e os nossos atuais nós criamos, talvez por saudades dos nossos irmãos lusitanos. A direfença entre as duas épocas é que os atuais são mais glamurosos e dispõem de meios de comunicação para a difusão de suas imagens monárquicas!

Vou citar alguns poucos que lembro: Roberto Carlos - o Rei dos cancioneiros; Luiz Gonzaga - o Rei do baião; Pelé - o Rei do futebol; e Adriano - denominado pelos italianos como – Imperador. De que ou de onde, não sei! Acho que nem ele sabe... Falcão, conhecido como o “REI DE ROMA” ... e ainda temos um “FENÔMENO”. Este Brasil é maravilhoso e lúdico. Não podemos esquecer do nosso saudoso “LAMPIÃO”, o “REI” do cangaço e sua “Dama Maria Bonita” a Rainha do Bando. que era movido pela vingança, pela vontade de chacinar todos os meganhas que haviam, gratuitamente, assassinado seus pais, quando ele, o chefe do Bando, O VIRGULINO, ainda criança, embaixo de uma cama, assistiu a infernal cena de defenestração de seus entes queridos. Lampião ganhou este apodo porque a extremidade do cano de sua espingarda mantinha um lume aceso durante todo o tempo em que ele atirava, dada a sua velocidade no gatilho. Talvez esteja incorrendo em dissertação apócrifa por falta de melhores informações.

Parece-me que, da mesma maneira que os indianos gostam de Deuses, considerando que naquele país existe um Deus para cada situação ou necessidade, ou doença, plantas, emoções, carência etc., existe um Deus para atender suas súplicas.

Assim como eles, nós precisamos de “MITOS” para reverenciar, para aplaudir, para render homenagens. Faz parte do folclore da nossa cultura de colonizados. Não pensem que estou esquecendo do nosso principal “SALÃO MONARQUICO” O MONUMENTAL PALÁCIO LEGISLATIVO, onde reinam, incólumes, a surpreendente massa escorregadia, os nossos POLÍTICOS. Deles há, até, os que estão “se lixando” para a opinião de seus eleitores. Naqueles antros, a guerra intestina é sanguinolenta pelo posto de Rei da Corrupção. Todos querem Coroa e Cetro; vergam-se ante a cobiça. Todos os políticos de todos os mundos prostram-se na Capela do Poder, da Usura e da Impunidade, suplicando um lugar no Trono do Mando, nem que seja por algum tempo; tempo suficiente para sentirem o orgasmo, a volúpia do prazer de escarnecer dos pequenos mortais sem defesa. Naquelas casas temos o Rei do Mensalão; o da Bolsa Família; o do Escândalo dos Correios; temos o do Auxilio Moradia; o das Passagens Aéreas; o dos Palácios e Casas Suntuosas; convivemos amigavelmente com “os reis (são vários) do nepotismo”. Sem mencionar que cada Senador da República ou Deputado Federal tem uma legião de assistentes, ganhando salários assustadores, para fazerem nada, a não ser procurarem ou produzirem “documentos” que possam, eventualmente, encobrir as falcatruas de seus “CHEFES ONIPOTENTES”. Vergonhoso é um termo muito “chinfrim” para adjetivar tamanho descalabro. Naquelas casas pratica-se a sublevação dos valores morais. Ignóbil, talvez, se preste melhor para definir a falta de vergonha, o cinismo, a falta de patriotismo.

Os universitários em particular e o povo em geral deveriam sair às ruas de suas cidades e postarem-se frente às Prefeituras e Câmaras de Vereadores em protesto veemente contra os desmandos. Brasília deveria ser invadida pela massa inconformada para, frente ao Congresso Nacional, dizerem aos representantes do povo, que chega de roubalheira, de corrupção, de cinismo, de vagabundagem. Dizer que todo funcionário público e todo trabalhador brasileiro trabalha 5 ou 6 dias por semana e não 3. Dos 3 dias, a maioria chega tarde e sai cedo, e enquanto estão por lá, tomam cafezinho, sem nem mesmo saber quem está pagando, e confabulam o próximo achaque. Chega de impunidade. Chega de sofrimento. Chega de escravismo. As mães brasileiras, a exemplo, das argentinas, deveriam sair em “panelaço” pelas ruas e em frente aos “monumentos de rapinagem”, desde Brasília até o menor dos Municípios.

Este é o meu protesto mudo, já que não sai do âmbito de meus relacionamentos e, que com certeza, não surtirá efeito nenhum. É uma pena!

Novamente vou me deitar inconformado...

Anchieta Antunes

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“INAUGURAÇÃO DO BRASIL”

Realmente parece muito estranho ou mesmo esdrúxulo dizer que um país foi inaugurado. Isto se não prestarmos atenção a fatos históricos.

Senão vejamos: os fenícios navegaram pelas costas do nosso continente muito antes de Cristo. Depois foi a vez dos chineses,em 1421.Todo o caribe foi visitado por estes povos que vinham por aqui para descobrir riquezas, e, certamente, saquear tudo o que lhes interessava. Isto aconteceu com os franceses que levaram grande parte da Mata Atlântica, em forma de Pau Brasil. Não havia, para estes povos, a intenção de requerer propriedade das terras descobertas. Não havia reinvidicação territorial.

Dizem as más línguas que os portugueses dispunham de mapas elaborados pelos Fenícios, porém, não há prova cabal. Nossos irmãos, ainda que admitamos, terem esses mapas fenícios, só deram com os costados em nossas praias por conta de uma calmaria que pairou no Atlântico por tempo indeterminado. Se os portugueses demoraram noventa dias para atravessar o oceano, pergunto; uma calmaria pode demorar três meses sobre um mar tão grande quanto o Atlântico? Será que a nossa marinha mercante saberia responder esta pergunta?

Os espanhóis andaram subindo o Rio Amazonas, quando ainda não tinha este nome. Se não me engano, um tal Américo Vespucio, depois Vicente Yanez Pinzon navegou pela Bacia de la Plata. Descobriram o que viria a ser a Argentina e o Uruguay. Ah! Sim, o Paraguay também. Nesse rolo vai também o Chile, Bolívia, Colômbia etc,etc.Quem na Colômbia descobriu a grande mina de prata. Dizem que foi alguém da família Patino; da Espanha.

O Tratado de Tordesilhas ajudou muito os portugueses, que já sabiam da existência de nossas terras. O escrivão,que a mando do Rei de Portugal, em parceria com seu colega da Espanha, sob as ordens dos Reis Católicos, Fernando e Izabel, redigiu o tratado, sabia, ou sabiam, bem direitinho o que estavam fazendo, ou seja, cada um que fique com sua fatia do bolo a ser descoberto e saboreado. Será que Pero Vaz de Caminha, ainda em sua pátria, já não sabia que aqui “em se plantando tudo dá”?

Por isto, elucubrando, avento a hipótese de nossos patrícios terem navegado até Cabrália apenas para oficializar a inauguração da Bahia, digo, do Brasil. Quando “em aqui chegando” nossos patrícios depararam-se com um “magote” de gente nua correndo pelas praias, virgens de povos brancos – raça - com arcos e flechas nas mãos, tentando impedir a invasão de seu território, devem ter pensado numa grande suruba, o que vinha a calhar para os degredados, ávidos por corpos novos, indefesos e inocentes. O mais puro dos marinheiros, tinha pena decretada de trinta anos de prisão. Será que é por isto que ainda hoje grassa a corrupção na crista da sociedade política?

O Bispo que acompanhava a “TROPA DE ELITE” e que era o intelectual do grupo, alcunhou aquela gente de “indígenas” ignorantes, analfabetos e “não tementes a Deus”, fato inaceitável. Como podia um povo tão rico em recursos naturais, não contribuírem com o Vaticano? Temos que infundir-lhes medo e, como castigo, atribuir-lhes carga de trabalho... só assim vão aprender a se comportar e respeitar a Igreja de Pedro. Como se Pedro ou Deus tivesse alguma coisa ver com isso...

Nossos índios, os mais lídimos representantes da nossa gente, ainda que tenham atravessado o “Estreito de Bering”, para aqui chegar, no mínimo foram os primeiros a tomar água de côco em nossas praias. Mereciam mais respeito, mais atenções, mais consideração.

Não satisfeitos com a degradação indígena, nossos portugueses, iniciaram o contrabando de africanos, para executarem os trabalhos indignos da gente européia. Trabalho braçal nos canaviais, que por sinal perdura até os dias de hoje.

Os negros africanos chegavam como mercadoria, pois que tinha, o seu “importador” a obrigação de pagar os devidos impostos na Alfândega do Rio de Janeiro. Neste caso eles, os negros, não eram “naturalizados” e sim “nacionalizados”.

Assim, meus amigos, a “inauguração do Brasil” foi a grande piada daquele século. O descobrimento aconteceu muitos séculos antes.

Um abraço

Anchieta Antunes.

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BUCHADA NORDESTINA

Aconteceu numa cidade do nordeste. Não revelo nomes para não delatar a família nem dilatar a vergonha

Fomos convidados para almoçar na fazenda de um parente de parente. Sabe aquele amigo da tia, do irmão do cunhado da sogra... é por aí. Fomos. Eu, minha mulher e a prole, num domingo de sol brilhante, com um maravilhoso mar de azul marinho, cheio de ondas e esperanças para os banhistas.

Não era longe, Apenas umas duas horas de estrada de chão batido. Alguns buracos vieram a calhar para sacolejar a carcaça e trazer mais fome do que a que já tínhamos. De fato, chegamos famintos. Alguns goles de cana, um pedacinho de queijo e o apetite vaporizando o ambiente. A sala cheia de gente, parentes de parentes, que nós não conhecíamos. Um brinde ao cavalheirismo durante as apresentações. Fomos todos introduzidos no seio daquela família alegre e feliz.

A convite da anfitrioa para conhecer a cozinha, entramos numa sala imensa, onde um caldeirão diabólico, com labaredas enormes e demoníacas, esquentava seu fundo que não parava de chiar. Boiando na água que borbulhava vimos umas bolas imensas, que mais pareciam cérebros de macaco prego ou os ovos de touro.

Diante daquela visão dantesca, de uma comida que não tardaria a nos ser servida, vislumbrei uma cena que assola o imaginário do desconhecido: no agreste nordestino, quase perto de um pedacinho de mata atlântica,que conseguiu se esconder da cobiça dos latifundiários, uma choupana coberta de palhas de coqueiros, com um só cômodo, uma figura anoréxica, bailando no ar, em sua vassoura deambulante, naquele exíguo espaço, com um nasal proeminente, avançando adiante do corpo fraco e rígido, como se o nariz fosse um cavalheiro nórdico, pronto para defender seu feudo, da invasão da maldade dos humanos, não bruxos.

Num imenso caldeirão, fervendo ervas medicinais como também as que enfeitiçam os corações desprevenidos, ou as mentes perversas laborando vinganças atrozes ou ainda a decapitação dos que causaram prejuízos aos inquilinos do planeta terra.

É que a “chef”, Dona Zefinha, era uma figura magra e velhinha, com um imenso nariz, frente àquele continente que não parava de borbotar.

Aquela mistura verde e viscosa borbulhava como lava incandescente de um vulcão em atividade, derramando pelas bordas da panela de alumínio, provocando mal estar a quem olhasse para aquele almoço prestes a ser degustado. Tudo regado com um bom molho de pimenta.

Assim minha mulher teve a audácia de perguntar à bendita cozinheira, de que era feita aquela iguaria!

_ôxente! Sabe não, minha fia? Isso é bucho de bode, a coisa mais maravilhosa que existe por estas bandas...

Sim! Mas o que tem dentro do bucho?

_Esse povo das estranja (tinha percebido o sotaque) num sabe nada de nada! Prestenção que agora vou desminhunçá a comida pra você entender. Primeiro: tripa de bode virada , figo (fígado), passarinha (pâncreas ) bofe ( pulmão), riinn e tem quem bote também um pedacim de coração. Tudo muito bem lavado senão fica um cheiro de merda que não tem quem aguente. Quando isto acontece e o freguês corta o bucho(estomago), o fato explode pra tudo quanto é lado, como um traque, e a catinga no meio do terreiro, bota todo mundo pra correr, feito um bando de doido. Mai num é o caso deste, viu, minha bichinha!E agora, mulezinha de Deus, tem que temperar, né?

_O que a senhora usa como tempero?

_É meu segredo, mas vou lhe dizer: refogo sal, alho, cebola, pimentão, cominho, coentro, e uma pitada de pimenta do reino.. Tudo cortado bem miudinho que é pro povo sentir o gosto sem saber o que é! Adispoi custuro o bucho com linha branca, com tudinho lá dentro, Agora vai a resenha toda pra panela com bastante água muito bem temperada. Baita trabalho...

Logo depois foi anunciado que o almoço seria servido naquele momento angustiante para nós. .Aquela comida que minha gente do Uruguay não conhecia, deixou a todos aflitos com o próximo ato. Dava para perceber nos olhos e expressões faciais, que meus imberbes filhos estavam ansiosos e assustados com o que poderia ser buchada. Seria uma surpresa agradável??? Do meu grupo de incautos, só eu sabia e gostava.

Desastre total. Um dos filhos disse:

_Mama, esto parece um bolso de mierda. No ló voy a comer. Tiene olor feo...

Os outros repetiam o refrão.

_E agora, meus filhos vão ficar sem almoço? perguntou minha mulher. Ela, esperta que é, já havia visto na cozinha, que Dona Zefinha, dispunha de outras panelas repletas de comidas variadas. Tratava-se de “galinha”, que é comida de pobre, pois que era para o elenco de empregados e empregadas. Os patrões iam comer “buchada”, comida de rico.

Mãe estremada que é, mais que ligeira sob o suborno de uma boa conversa, convenceu Dona Zefinha a fazer quatro pratos com comida de pobre: galinha. Um pouco de arroz e farofa de “bolão”. Estavam prontas as 4 refeições.

Um almoço injurioso se transformou em verdadeiro festin, mesmo com a estranheza dos anfitriões, que não entendiam porque os habitantes de outro burgo não comiam buchada, iguaria tão diferenciada e de sabor e cheiro únicos.

Voltamos para casa, satisfeitos e com a promessa de voltarmos àquela fazenda ainda que não participássemos do prato corriqueiro daquele grupo familiar.

A volta foi um pouco, para não dizer, muito conturbada, pois que eu havia exagerado nos meus goles de cachaça, bebida a que não estava afeito. A família uruguaya durante o retono, rezou dez rosários e mais algumas orações, pedindo a Deus pra chegar em casa sãos e salvos.

Chegou...

Naquela cidade vivemos muitos natais, felizes sem ter que ingerir a apetitosa buchada.

Anchieta

PS. Receita de molho de pimenta do “chef” Anchieta:

1º - 100 gr. de pimenta malageta;

2º - 50 gr. de pimenta da índia (amarela e redondinha)

3º -duas colheres de chá de orégano;

4º - três dentes de alho amassado;

5º - uma cebola pequena bem picada;

6º - uma boa pitada de colorau;

7º - duas colheres de sopa de extrato de tomate (para emprestar cor)

8º - “ATENÇÃO” meio copo americano de MEL DE ABELHA”

9º - um copo americano de vinagre; e

10º - cinco colheres de sopa de azeite “extra virgem”.

Deixar descansar por dois dias.

OBS: Só Yves conseguiu colocar mais de cinco gotas num prato bem cheio e bem molhado com feijão. Dea, apenas provou, logo ela que adora molho de pimenta.

D E S F R U T E M ! ! ! ...